Eu e minha necessidade de cutucar a ferida, que nunca cicatriza. Sou tão ridícula, sentada, esperando seus dedos discarem meus números. Por mais que eu saiba que você nem os lembre. Me deixei levar pela sua aparência afável, não me permitindo nunca esquecer do dia, que você chegou devagarzinho, por trás, sussurrando que me amava. Afinal, toda dama se amarra em um vagabundo. E eu me amarrei em você. Que tola eu fui. Me deixei levar pelos arrepios que seus toques me causavam e pelo sorriso bobo, que eu ficava apenas de pronunciar as sílabas do seu nome. “Tenho que arriscar. A gente precisa se dar uma chance de vez em quando…”. Eu só queria ficar com você. Eu e você. Sem espaço pra mentiras ou decepção. Sem sofrimento, aflição, insônia, nostalgia ou mágoa. Só amor. Eu só queria que tudo aquilo durasse, que não esquecesse de mim como todos os outros. E onde está você agora? Mas essas são as consequências da minha incúria. Solidão, tristeza, saudade e raiva. Sim, raiva. Raiva por eu ser sua. E não conseguir ser de mais ninguém. Que merda, eu sou tão sua! Poderíamos ser tão felizes, tão amor… Agora somos distância, apenas, e a culpa é sua. Você escolheu isso, e eu escolhi te ver partir. Por mais que eu te ame com todas as minhas forças, te implorar pra ficar, seria o cúmulo da humilhação. E ir atrás de você, seria um erro gigantesco. Dessa vez você me perdeu, de verdade. Acabou.